Sakkara, Dashour e Menphis.

Saindo das pirâmides de Giza, e antes de irmos almoçar, passamos por uma loja de papiros, com carimbos de autenticidade e qualidade, e fabricação própria. Uma loucura lá dentro, dá vontade de levar tudo! Cada um mais lindo que o outro. Lá vimos o processo de fabriação da folha desde a limpeza do produto até a prensa. Aliás o papiro é um símbolo do Egito e está presente em vários relevos e colunas dos templos. As pinturas em papiros originais nessa loja partiam dos 10 Euros e iam aumentando de acordo com o tamanho e complexidade da cena retratada. Eu comprei 2, um com a cena de uma das batalhas de Ramses II e outro com o amor de Thot-Ank-Ámon.

Saindo do restaurante onde almoçamos seguimos pela estrada que dividia o deserto da vegetação local, e nos fazia ver que os contrastes passavam dos naturalmente vistos e se estendiam à aqueles sociais e políticos. Ao longo da rodovia vi várias universidades particulares, cheias de jovens estudantes, casas bem aconchegantes, ladeadas por uma desolação e por “barracos” de extrema pobreza, higiene zero e condições precárias de vida.
Pense num calor terrível! Agora pense em nós nesse calor e ainda por cima depois do almoço! Aí pense também em subir e descer degraus debaixo desse sol! Pensou?
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É meus queridos a coisa aqui ficou preta, porque acabamos de almoçar e fomos direto visitar mais pirâmides no deserto sob a “lua” de umas 2:00 horas da tarde. Foi a única parte da viagem inteira que não me agradou, mas fazer o que não é mesmo?! “tô na chuva”… ops! Tô no deserto é pra me “exxxturricar”!
Primeira descida do ônibus e o impacto, um vento fervendo bem na nossa cara. Aí a Baiana baixou de vez:
– Afffe, ô mô Deus, que calor retado é esse?!
Claro que ninguém entendeu, eu era a única Brasileira da galera. Mas pois bem, cá chegamos à
Sakkara, 12 quilômetros ao sul de Giza, dotada de uma necrópole com 8 quilômetros de extensão, considerada a mais vasta e historicamente a mais importante de todo o Egito, por terem tido aqui representadas as principais dinastias, desde a I até as Ptolemaica e a Persa. É em Sakkara que está o primeiro exemplo de pirâmide do país, a grande Pirâmide em Degraus no Complexo Funerário de Zoser, Faraó fundador da III dinastia. Foi ele que juntamente com o arquiteto, médico e sacerdote Imhotep idealizou a construção das mastabas (em árabe assento ou banco) como sepulcros dos nobres e dignatários da corte, com formas semelhantes às das suas casas em vida.
Em Sakkara foi encontrado o “Texto das Pirâmides”, que são textos mágicos-religiosos redigidos no antigo Império e destinados a assegurar ao defunto faraó a sua proteção no além.
Dentro desse complexo estão várias mastabas, cerca de 250, dentre as quais 10 podem ser visitadas: a mastaba da princesa Idut, a de Kagemmi, a de MehuNeferNefer-her-en-PtahIrukaptahNiankh-Khnum e Khnum-Hotep, a de Ptah-Hotep em conjunto com a do filho Akhu-Hotep, a mastaba de Mereruka, a mais complexa de todas, descoberta em 1983 e subdividida em 3 partes, uma para o senhor, outra para a mulher e outra para os filhos, e por fim a considerada a mais bela de todas, a mastaba de Ty, terminada em 2600 a.C, quando Quéopes se preparava para construir a sua pirâmide. Ty era marido da princesa  Nefr-Hotep, viveu durante a V dinastia e era um chefe dos segredos, amigo e diretor das pirâmides, era ele quem dirigia todas as construções.
Distante 2 quilômetros do complexo de Sakkara encontra-se Dashour e as suas 5 pirâmides, todas elas iguais em importância (o Egito está recheado de pirâmides, cerca de 180). Uma era a de Sesóstris III (da XII dinastia). Outra pertencia a Mon-Emhat II e uma terceira a Amon-Emhat III (na sala sepulcral desta pirâmide foi encontrada uma rica coleção de jóias).
As outras duas pirâmides de Dashour foram idealizadas por Snefru, o primeiro faraó da IV dinastia e o pai de Quéopes. Uma é a pirâmide vermelha e a outra a rombóide, a melhor conservada de toda a necrópole. Além das então citadas, Snefru foi também o responsável pela construção de Mejdum, chamada pelos árabes de Ahram el-Kaddàh que quer dizer a pirâmide falsa. Esta construída perto de Fayum, em direção ao Nilo.
Passando pela Vila de Mit Rahina, chegamos a Menphis, a antiquíssima capital do I nomo do Baixo Egito, Mennof-Râ. Por séculos viveu um período de grande riqueza, atingindo o seu apogeu durante a VI dinastia, quando era o principal centro de culto à Ptah.
“Numa epígrafe em Abu Simbel, Ramses II fala assim ao Deus: Em Menphis ampliei a tua casa, ergui-a com trabalho assíduo, com ouro e pedras verdadeiras e caras…”.
No centro da então capital devia existir a cidadela das muralhas brancas, iniciada talvez por Imhotep (um dos grandes arquitetos das eras faraônicas).
Durante algumas escavações foram encontrados os restos do Templo de Ptah, onde os Faraós eram coroados. Em frente ao Templo havia estátuas colossais de Ramses II, feitas em granito rosa, das quais nos restam duas, uma que está na Praça da Estação, no Cairo, e outra aqui, no museu ao ar livre, conservada deitada. Também nesse museu há a esfinge de alabastro, a qual estima-se que remonte à época de Ámon-Ofis II.
Jeremias profetizou que: “Menphis será reduzida à deserto, será devastada, sem habitantes“, e a profecia foi comprovada, da rica e antiga capital hoje o que se vê são ruínas e deserto.
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Inclusive nós, éramos pura ruína, o calor insuportável, o cansaço e o desânimo foram se abatendo sobre nós, os que já não estavam bem de saúde pioraram, e os que estavam resistindo se entregaram. Voltamos para o nosso hotel, com direito a um belo banho, uma bela cama (ah a cama cabiam 6, adorei!!), comer, dormir e se preparar para a volta para casa amanhã.
Como o nosso vôo só seria à noite, fomos bater perna pelas ruas da capital, que loucura!!
Passar no semáforo foi uma das maiores aventuras da minha vida, o sinal assim que abre para o pedestre fecha novamente, os carros não param por nada, tem que meter a cara, chamar por Alá, e ir na coragem. Perdemos mais de 15 minutos para passar de um lado ao outro da rua.
Dica legal, dia de segunda-feira algumas lojas são fechadas, então ficamos limitados durante as compras. Um nativo nos deu a dica de ir as lojas do governo, segundo ele os preços eram melhores, eu não achei. No Cairo o comércio é bem organizado, há ruas só com lojas de sapatos, outra só com roupas, e assim vai…
Voltando para o hotel para seguirmos para o aeroporto pegamos um taxi porque não resistimos ao calor. Negociar antes de entrar no carro é lei! Mas não custa muito não. Pegar ônibus nem pensar!
A noite seguimos para o aeroporto, pegamos um engarrafamento daqueles! No balcão do check-in um espertinho queria nos cobrar para embarcar as malas, uma pessoa que nem da cia aérea era, com uma cara… fiquei logo com raiva porque eu já estava cansada daquela pedição.
Depois de pouco atraso, pousamos como plumas no aeroporto de Roma, e eu, graças ao meu bom Deus, feliz da vida e realizada com uma viagem de sonhos apenas concluída e perfeita em todos os seus detalhes. O país fez juz aos meus sonhos e não deixou à desejar em nada, eu simplesmente AMEI! ❤
Próximo post de conclusão da saga Egito com imagens daquele que dá a vida ao País.
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