CAIRO!

Cheguei ao Cairo com uma tremenda dor de cabeça porque eu estava preocupada com o vôo de Abu Simbel até a Capital. O vôo em sim foi tranquilo, o que chateou mais foi a demora, deu overbooking, e aí tivemos que esperar tudo ser resolvido. Mas enfim, chegamos! Demos sorte de chegar à cidade em um dia de orações, e o trânsito estava tranquilo.
A cidade foi fundada como Al-Kahira pelo chefe do exército fatimida Gobar Al-Sikkilli, o seu nome significava “A Vitoriosa”, e além de ser a capital do Egito, era também o centro do Islã. A partir de então o Cairo cresceu a ponto de atingir proporções imperiais.
A chegada de Salah-el-Din (Saladino) em 1176 marcou uma nova etapa na história do Cairo. Durante a dinastia Aiúbida foi edificada a Cidadela e começou-se a construir uma grande muralha para circundar as cidades que formavam Al-Kahira.
A época dos Mamelucos (de 1250 a 1517) representou para o Cairo um importante período de construção e de urbanização. Tanto que ainda hoje podemos ver os traços dessa influência em muitas construções espalhadas pela capital. Os Otomanos (de 1517 a 1798) continuaram o desenvolvimento realizado pelos Mamelucos, favorecendo importantes atividades comerciais. Durante o reinado de Mohamed Ali e dos seus sucessores, a cidade teve um incremento notável, que pode ser visto também na sua Mesquita.
A cidade é cheia de contradições, e elas estão perto umas das outras. Os hotéis estão ladiados de regiões paupérrimas, o trâsito é horrível, os serviços vão dos luxuosíssimos aos mais precários. Esta é a cidade do Cairo! E são todas essas diferenças que a tornam única. Com a maior população entre as cidades Africanas, cerca de 19 milhões de habitantes, uma grande maioria pobre, a cidade vive muito do Turismo, embora esta não seja a sua principal fonte de renda.
A chegada ao Cairo foi em uma sexta-feira à tarde, média da temperatura de 47 graus, seguimos diretamente para o almoço em um dos vários barcos que estão parados às margens do Nilo. De lá fomos ao hotel, desta vez a hospedagem era no Pyramisa, um hotel grande e excelente! Muito bem localizado, dá para ir a pé ao Museu Egípcio. A tarde foi livre, e à noite poderíamos assistir ao Espetáculo de Luz e Som das Pirâmides de Giza, e claro que eu fui! Aliás o nosso guia disse que se torna ainda mais mágico ver as Pirâmides pela primeira vez à noite, e realmente foi extraordinário!
Em meio ao escuro, as vozes graves que vão narrando a história das obras e do país, as luzes vão iluminando pontos estratégicos, o céu era estrelado, com uma lua maravilhosa, tudo fluia ao meu favor, e eu estava em transe, realizada, feliz da vida!
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O segundo dia na capital foi recheado pela visita ao Museu Egípcio do Cairo, a Mesquita de Mohammed Ali na cidadela de Saladino, parada para as compras no Mercado de Khan el Khalili e “Cairo by Night”.
O MUSEU DO CAIRO foi inaugurado no ano de 1902 sob a direção de Gaston Maspero. Possui cerca de 100 salas expositivas, dispostas em 2 andares, há uma grande biblioteca e um jardim. Fotos lá são proibidas. Segundo o nosso guia, se para cada obra nele presente fosse dedicado um minuto da nossa vida, serviriam 9 meses para completar a visita, nasce o filho e ainda estamos lá dentro observando as obras.
Eu particularmente fiquei decepcionada com a iluminação, disposição das peças, organização, e tantas outras coisas. Para a quantidade de relíquias que há lá dentro, o Museu merecia atenção maior. Ainda bem que já estão construindo um novo.
As obras são fenomenais. Vimos as principais e lá ficamos por toda a manhã. Dentre elas está a mais importante: a coleção de Tut-Ank-Amon. Um sarcófago em ouro maciço com 1.170 quilos (talvez a maior obra em ourivesaria da história). Realmente foi uma das partes mais emocionantes, ver diante dos meus olhos a máscara deste pequeno Faraó, e um dos mais insignificantes da era Faraônica, imagine se tivessem encontrado o tesouro de Ramses II o que não poderíamos exaltar?
Além das várias esculturas de Ramses há ainda as dos reis, de pessoas importantes nas cidades e templos daquela época, os empregados, os carteiros, os alfaiates, as rainhas, as crianças, há também a riqueza do grande acervo de untensílios que foram usados pela medicina, pelas pessoas em geral, e que, ainda hoje, fazem parte do nosso cotidiano, como pinças, pentes, preservativo e tantos outros.
A segunda parte do dia foi dedicada à MESQUITA DE MOHAMMED ALI, o símbolo do Cairo. Construída em 1830 por Mohammed Ali, homem de origem Albanesa, nascido na Grécia e soldado enviado ao Egito para lutar pela sua libertação da ocupação Napoleônica.
No pátio há a Fonte das Abluções, onde os muçulmanos se lavam antes das 5 orações diárias. Dentro é tudo muito bonito, bem decorado, com escritas nos tetos. Há uma grande inspiração na Santa Sofia de Istambul.
Para a visitação as mulheres têm que estar devidamente vestidas, mesmo com o calor do lugar, nada de shortinho! Pernas cobertas, ombros também, a retirada dos sapatos é obrigatória lá dentro. Então gente por favor, respeitem o lugar e as suas tradições!!!
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Na terceira parte do dia fomos ao Mercado. Ahhhh o Souk! Eu estava me preparando psicologicamente para ele, por já ter ouvido estórias bem dramáticas de ocorridos indesejados lá dentro, então tentei me precaver.
Como todo mercado esse não é diferente, os vendedores fazem de tudo para nos convencer a comprar. Os preços partem sempre nas alturas, e com uma boa ignorada e saída eles vêm atrás de nós e terminam fazendo o nosso preço. Tentem evitar entrar nas lojinhas e deixar que eles coloquem algo em suas mãos, depois quando não queremos eles não querem aceitar de volta. Estejam atentos aos pedidos de troca de moedas, a Lira Egípcia é muito parecida com o Euro, eles misturam os dois e no final, quem não contou direitinho e percebeu a farsa sai perdendo.
Mulheres evitem estar sozinhas pela rua ou entrar sozinhas nas lojas, os homens aqui são bem “apelativos”. Depois de tomar todos os cuidados necessários é so se deleitar com a variedade de produtos que vão desde os souvenirs de viagem até os deliciosos aromas, ervas, narguilê, enfim. Saímos de lá com uma mala na mão, que tivemos que comprar porque a nossa já não era capaz de suportar tanta coisa.
Para a minha sorte, quando chegamos e saímos do mercado havia um Sheike Xiita chegando com todos os seus seguidores, foi simplesmente emocionante! O velhinho coitado mal caminhava, mas desceu do seu belo carro importado enquanto o povo o adorava. As mulheres lindas em seus vestidos coloridos, bordados com flores, cores claras, crianças e homens também com roupas claras. Lindo de ver! Eram Xiitas provenientes da Índia e do Paquistão.
Pausa para um belo suco de frutas dentro de um boteco no mercado (com medo mas tomei, já que estou aqui é para viver aquilo), tinha um homem lá dentro chorando desesperadamente de dor no estômago. Ai Deus!
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Feitas as compras fomos ao hotel tomar um banho, repousar um pouco para sairmos outra vez e fazermos um passeio pela noite do Cairo.
Fomos à mesma zona do mercado, pelas ruas internas e vivemos alí uma espécie de filme de Alibabá, das Mil e uma noites. As contruções, o clima nas ruas, maravilhoso! Mesmo com o caos da cidade, pudemos passear tranquilos, as ruas estão cheias de gente mesmo durante à noite, por ser um período menos quente do dia. Entramos em várias mesquitas menores (Cairo é a cidade das mesquitas), visitamos outras lojas e no final da noite fomos beber algo em um parque delicioso o Al-Azhar Park, com fontes e bares, gente por todos os lados e nos oferecia uma vista linda.
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O terceiro e último dia de visitas guiadas no Cairo foi esgotante. O calor estava muito, muito forte. Bebíamos água quase que sem parar, mas ao descer do ônibus era sempre um choque, parecia que tínhamos secadores de cabelos, ligados no máximo, bem de frente aos nossos rostos.
O dia como sempre começou cedo. Fomos direto ao sítio arqueológico de Giza. Fizemos a Esfinge antes de tudo, já que não havia quase ninguém perto dela. A maioria dos grupos a faz na descida depois das Pirâmides.

A Esfinge, que em árabe é Abu el-Hol (pai do terror) está a cerca de 350 metros da Pirâmide de Quéops, longa 73 metros, é a representação colossal de um leão com cabeça humana (alguns acreditam que seja a cabeça de Quéfren guardando o seu próprio túmulo). Construída durante a quarta dinastia (2723 a.C – 2563 a.C), embora outras teorias afirmem que ela tenha sido erguida ainda na pré-história, por várias vezes foi encoberta pelas areias do deserto, deixando somente a sua enigmática e grandiosa face à mostra.

O restauro mais famoso foi o de Tutmósis IV, que em sonho foi ordenado pelo seu tio a desenterrar a Esfinge. As deformidades que ainda hoje podemos constatar na Esfinge se devem à erosão do vento, aos canhões dos Mamelucos que se exercitavam ao tiro ao alvo, e dizem que à Napoleão responsável pelo desaparecimento do nariz.
Da Esfinge seguimos para as Pirâmides. Giza é composta pela Esfinge, as 3 Pirâmides deQuéops, Quéfren e Miquerinos, e outras menores que seriam as das rainhas. Caminhamos pela estrada asfaltada que corta o sítio e que distorce completamente a ideia de que as Pirâmides continuam em meio ao deserto. Ainda ao redor delas há várias casas, lojinhas e tudo o mais que acaba com o nosso sonho, e com o que o nosso imaginário sempre idealizou.
Grupos de 100 mil homens foram criados para se revesarem a cada três meses na construção da estrada que levaria as pedras do Nilo à Ilha onde encontra-se hoje Giza. Só para a estrada foram empregados 10 anos, depois mais 20 para a construção da Pirâmide, o túmulo.
Cada face, de cada um dos lados, mede 246,26 metros, é quadrangular e a sua altura é igual aos lados. As pedras são polidas e foram unidas umas às outras em modo perfeito, nenhuma das pedras tem menos de 9,24 metros. A construção foi feita em degraus. As pedras eram içadas por traves curtas que saíam do chão até o primeiro nível de degraus, para cada nível mais máquinas e assim as pedras chegavam ao topo. Com letras egípcias foi escrito quanto foi gasto durante esse feito, quantos quilos de alho, cebola, prata, roupas e etc.
As Pirâmides perderam quase que completamente o seu revestimento original, mas ainda assim fazem juz ao ditado Egípcio de que “Todo o mundo teme o tempo, mas o tempo teme as Pirâmides”.
Em 1954 o arqueólogo Kamal el Mallak descobriu a Barca Solar, talvez a mesma que tenha acompanhado o corpo de Quéops a Giza. Infelizmente a colocaram dentro de uma estrutura que nem sei explicar o que parece, aos pés da Pirâmide, distorcendo completamente o panorama do lugar.
Sinceramente foi muito melhor as ter visto à noite, porque se as visse pela manhã teria ficado completamente desiludida. Imaginei por anos o meu momento em frente às Pirâmides, e de repente eu estava alí, e nem sequer me emocionei. Claro que são obras fantásticas, e se pensarmos a quando foram feitas a coisa se torna ainda mais incrível, mas elas são bem mais bonitas à noite, quando não notamos às imperfeições, e quando não há o tumulto do dia. Para entrar na Pirâmide são disponibilizados somente 150 bilhetes por dia, a fila é grande, o caminho até lá dentro não é dos melhores, nem sequer o seu aroma, e ao chegar a surpresa: vazio total!
Saindo daqui há um ponto de enquadramento total das obras, vale a pena dar uma chegadinha até lá. Fiquem atentos aos caras com os camelos. Eu sempre disse que estando alí eu teria que subir no camelo. Mas é uma agonia, o cara faz um acordo, digamos 3 euros, quando estamos lá em cima e já fizemos a foto e queremos descer ele pede 40, e aí meu bem, haja paciência!
Não tenho muitas fotos de Giza durante o dia porque o meu cartão de memória esgotou! Só fui achar outro quilômetros mais à frente…
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Quando fomos conhecer a Cidadela e passamos por uma zona do Cairo que parecia um cemitério o guia nos disse: – Essa é a Cidade dos Mortos. Então pensei: ah é realmente um cemitério.
– Lá dentro vivem muitas pessoas.
– Vivem, como assim vivem?!
Pois bem, vivem! Como os muçulmanos acreditam que a vida não acaba com a morte, eles têm o hábito de cultuar aos mortos, de estarem próximos, de celebrarem, enfim. Nos cemitérios, alguns túmulos são compostos inclusive de cozinha. Porque os vivos vêm visitar os mortos e lá permanecem por dias e dias.
Como a capital do Egito é superpovoada, com cerca de 19 milhões de habitantes, cada pedaço vale muito, e com uma população em sua grande maioria muito pobre, aí já viu não é?! Pobreza no Brasil é luxo no Egito.
Voltemos à cidade dos mortos. Depois de guerras e disputas muitas pessoas que não tinham onde morar foram se apropriando dos túmulos, neste cemitério grande cerca 7 quilômetros. E assim outros foram vindo e vindo até formar uma população de número impressionante, cerca de 10 mil vivos para quase 1 milhão de mortos lá dentro, por isso o nome Cidade dos Mortos.
Nessa exótica cidade há escolas, lojas, polícia, cabras e ovelhas que passam de um lado para o outro. Uma verdadeira organização social. O interessante foi sentir o relato do guia:
“Quando temos que visitar os nossos mortos, pedimos licença aos novos moradores do que seria o nosso túmulo. Eles saem, tiram tudo de dentro, tranquilamente. Quando acabamos o nosso ritual vamos embora e eles retornam às suas “casas”. O bom disso é que eles mantêm os túmulos sempre limpos”.
Agora imaginem a cena, cozinhar perto de túmulos, gente que come lá dentro, uma vida que escorre por entre ruas repletas de esqueletos.  Pitoresco!
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A viagem não acaba ainda aqui. Tivemos mais alguns pontos de exploração que virão adiante. Quem quiser saber mais sobre esta incrível viagem corre para a tag Egito e confere os detalhes.
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